domingo, 12 de fevereiro de 2012

Choro de vento

Eu tendo a ficar manipulando tudo ao mesmo tempo..
Eu adoro me enganar. Pensar que estou no comando.

Ando choranto tanto..
por gente que nem merece. Mas nunca tenho me esquecido daquelas que sempre estão comigo,
são pouquissimos, mas estão aqui no meu peito.

Tenho conhecido gente fora do padrão,
tenho me libertado mais..

Falo muito sobre meus sentimentos.
Acho soluções e se for pra não sofrer, choro sem lágrimas e sumo pelo mundo.
É muito estranho quando algo acaba e não acaba para você.

Você se sente meio assim, um idiota no meio de um salão de festas vazio,
ou em uma festa preto e branco você chega de amarelo, por exemplo.
Muito constrangedor.

Eu não acredito no amor.
Eu acredito na paciência e no encanto.

Nem sempre arriscar é viver.
Eu me sinto melhor vivendo na minha bolha,
usando o meu sistema manipulador achando que estou no comando.

Eu fico chorando vento,
por gente que me fez uma tempestade.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Brisa

Eu me sinto livre.
Me sinto amada, me sinto alta...
Sinto como se eu pudesse ultrapassar todas as expectativas à mim impostas.

Sinto como se o ar fosse pouco para me preencher.
Como se viver fosse mais que palavras e atitudes.
Como se não importasse a reação e sim a ação.

Deixei de ser virginiana e passei a ser geminiana.
Gosto de gargalhar e sair para caminhadas.
Estou me permitindo.
Estou me abrindo para um novo eu...

Ah como eu adoro as joaninhas nas folhas,
os sorrisos das pessoas, o caminhar de um senhor de idade na praça.

Aprendi a olhar o céu de outra forma,
é lindo, poético..

Eu me sinto como a brisa.
Refrescando à beira mar.
Sinto como se pudesse ultrapassar todas as montanhas saltando..

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Areia

Então era como um anjo, linda.
Veio caminhando em minha direção. Mostrou-me seu sorriso e a sua voz ecoou dentro de mim, como uma água abundante que invade um espaço.
Refrescante. Abundante.
Muitas emoções em um espaço mínimo de tempo.
Oh que deliciosa confusão.

Logo então começamos a caminhar. Tomou minha mão junto à dela.
Caminhamos à beira mar, sorrimos. Mas nada falávamos sobre nós.
Nós no sentido de individualidade, personalidade.
Apenas falávamos sobre as coisas, a areia nos pés, a brisa do mar, o horizonte...

Parecia ter sensibilidade para tudo.
Até então, que delicioso engano...

Logo fui me envolvendo. Mesmo sem querer. Mesmo que sempre eu tenha comigo,
meu freio, meu consciente, eu resolvi tentar mergulhar naquela imensidão de ser humano.
Ela concordou.

Começamos a nos abrir então.
Primeiro mostramos nossos cérebros. Ambos parecidos, racionais. Controladores. Metidos a intelectuais.
Então mostramos algumas memórias... rimos, relembramos, compartilhamos.
Analisamos juntas.
Logo sentamos na areia e nos beijamos.
Havia uma conexão..

Então, oh quão delicioso e confuso engano.

Nos levantamos, e sorrimos.
Decidimos mostrar nossos corações.
O meu, não era tão bonito confesso. Cheio de trancas, correntes e não era de um tom tão avermelhado. Mas havia um anseio – no meu íntimo – de mudar aquilo. Eu confesso. Deixei-me envolver.
Então ela hesitou em mostrar o dela.
Eu insisti.
Ela se explicou.
Eu discordei.
Então ela me mostrou seu coração. Totalmente avesso á sua afeição. O seu sorriso, seus gestos demonstravam doçura e cheiravam a flores do campo, o seu coração moído, gélido, de um tom marrom escuro, cheirava à carniça.
Eu me assustei, mas não corri. Permaneci. Apenas meu encanto passou, mas eu ainda queria estar lá.
Então eu sorri e desconversei. Havia um ar muito grande de realismo naquele momento. Soltamos nossas mãos. E continuamos a caminhar.

Logo se avistou uma floresta. Entramos nela e começamos a falar sobre os galhos, as árvores, como poderiam ser assustadoras ao calar a noite. Então me virei para ver uma grande árvore onde estava escrito:
‘’ Beijos não são contratos ‘’. Shakespeare.
Quando me virei ela havia sumido.
Não senti nada de triste. Apenas respirei e fui caminhando de volta ao meu destino.
Peguei meu coração e nele coloquei mais uma corrente. Mais um tranca. E com a frieza de minha mão o congelei um pouco mais. Mas o limpei para que não cheirasse à carniça jamais.
Não cheirava à nada, era intacto.

Então logo me encontrei na praia novamente e outras pessoas me sorriram.
Não retornei a dar as mãos.
Conversei, sorri, caminhei. Mas não demonstrei nada sobre mim.

E apenas me conservo caminhando na extensa faixa de areia..
Oh que deliciosa calmaria..